quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Visita à Reserva Natural das Berlengas

A Reserva Natural das Berlengas situa-se no Arquipélago das Berlengas, 6 milhas a oeste do Cabo Carvoeiro.

O acesso à Reserva faz-se a partir do porto de Peniche, tomando quer o barco regular, Cabo Avelar Pessoa (semelhante a uma traineira adaptada para o transporte de passageiros), quer uma das muitas embarcações turísticas disponíveis (em ambos os casos o preço é de 20 € ida e volta por adulto). No primeiro caso a travessia dura cerca de 45 minutos e no segundo cerca de 30 minutos. Optámos por uma destas embarcações turísticas com capacidade para transportar cerca de 12 passageiros. Durante o percurso, um dos 2 membros da tripulação esclareceu os passageiros sobre a condição de reserva natural da ilha, limitação de número de visitantes por dia, locais a visitar e boas práticas.
Ao chegar à única ilha visitável do arquipélago, a Berlenga, encontramos um cais do qual se avistam
cerca de duas dezenas de casas de pescadores, um café restaurante e uma pequena praia numa lindíssima enseada. A praia é realmente pequena; mesmo na maré baixa os visitantes vêm-se obrigados a estender as suas toalhas praticamente encostadas umas às outras. Pode ser constrangedor ou, no nosso caso, pode ser uma maneira de travar conhecimento e pedir o equipamento de mergulho livre emprestado. É que, de facto, as águas são extremamente límpidas e riquíssimas em peixes, anémonas e algas, bastando, para os observar, saber nadar fora de pé, utilizando óculos de mergulho. Uma experiência inesquecível.
A praia também é o local mais escolhido pelos visitantes para um picnic, sempre acompanhado de gaivotas juvenis que querem partilhar do nosso farnel.
 É de salientar que na ilha não existe nascente água doce, pelo que o visitante deve fazer-se acompanhar da água necessária ao consumo próprio, não devendo esquecer as suas garrafas vazias ao partir. Existem casas de banho públicas limpas e bem mantidas que, naturalmente funcionam com água salgada.
 Pontos de interesse a não perder: os trilhos pedestres com subida ao planalto do farol, descida (cerca de 300 degraus) ao Forte de S. João Batista, a fauna, a flora e as formações geológicas ao redor da ilha. Em qualquer local onde nos encontremos a vista é deslumbrante. O mar azul e verde de onde emergem rochedos, ora negros ora de tons avermelhados, cobertos de vegetação rasteira, que estabelecem o contorno irregular da ilha, formando grutas e outras formações peculiares.
 O arquipélago é também local de nidificação de 7 espécies de aves marinhas registando uma flora diversa, das quais 3 espécies endémicas.
Quem desejar pernoitar na Berlenga pode fazê-lo no forte, no parque de campismo ou em quartos alugados no restaurante da ilha. Em qualquer dos casos, aconselha-se uma informação prévia detalhada das condições de alojamento (o que levar, quais as restrições ao consumo de água e de energia elétrica).
Desde a nossa última visita ao arquipélago, há mais de 20 anos, é visível o enorme esforço que foi feito para tornar a ilha sustentável a nível social (reconstrução das casas dos pescadores, das instalações sanitárias, do cais e dos locais de arrumação de material de pesca), económico (dinamização alternativas de transporte para a ilha, visitas de barco às grutas, aluguer de embarcações, atividades de mergulho, etc) e ambiental (controlo da população de gaivotas, na altura uma verdadeira praga, controlo e monitorização e divulgação das fauna, flora e formações geológicas). Neste momento, importa fazer-se um maior controlo de mamíferos invasores, nomeadamente do rato, que perturba o ecossistema e os visitantes campistas os quais se vêm obrigados a traçar uma fronteira de sal grosso à volta das suas tendas para impedir as visitas noturnas indesejadas.
Nos próximos 4 anos a Reserva Natural das Berlengas vai ser alvo do projeto LIFE+ Berlengas “Conservação das espécies e habitats ameaçados da Zona de Proteção Especial (ZPE) das Berlengas através da sua gestão sustentável”, uma parceria entre Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas, a Câmara Municipal de Peniche e a Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Este projeto como principal objetivo “tornar o arquipélago das Berlengas num exemplo de turismo sustentável e desenvolvimento económico responsável, através da integração de todas as atividades económicas com os incríveis valores naturais existentes” envolvendo um investimento de 1 milhão e 380 mil euros, para ajudar a repor valores naturais do arquipélago, dos quais 50% são co-financiados pela Comissão Europeia.[1]
Esperamos que a implementação deste projeto seja eficiente e eficaz, tornando contribuindo para melhorar a sustentabilidade desta reserva natural.
Fica aqui um link de uma reportagem, cujos primeiro 5 minutos são dedicados às Berlengas. Aproveitem!





Anne Nogueira 10/09/2014



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